20/3/2025

Funções, matrizes, equações diferenciais, probabilidade, grafos, apesar de conteúdos matemáticos, vão muito além disso. Essas ferramentas, na verdade, podem ser utilizadas na interface com ciências variadas, como a estatística, a computação e até a biologia – essa última interação foi tema de seminário no IMPA Tech nesta quarta-feira (19). A professora da graduação Nara Bobko palestrou sobre a interface entre a matemática e a epidemiologia.
O seminário teve como objetivo principal apresentar e explorar o uso de ferramentas matemáticas que possam ser utilizadas para estudar epidemias. Em especial, foram analisadas possibilidades na área de equações diferenciais ordinárias, como solução analítica, numérica, estimativa de parâmetros, análise de comportamento, entre outros.
Um dos principais sentidos do uso das ferramentas matemáticas na análise dos fenômenos biológicos está na instrumentalização dos dados e informações obtidas. “Produzir um problema matemático, só fazer a modelagem, não resolve muita coisa. Nessa hipótese, deixamos de ter problema escrito em palavras para ter um problema escrito em uma linguagem matemática. Precisamos usar o nosso ferramental matemático e o que a gente sabe para explorar, produzir, tirar propriedades e informações matemáticas desse problema. Na parte final, traduzimos isso que conseguimos alcançar para o problema epidemiológico. Para explorar o problema matematicamente falando podemos usar várias ferramentas diferentes, há uma infinidade de possibilidades para isso”, explicou Nara.

Além disso, a discussão também passou pela ideia geral de epidemias ou pandemias, como a Covid-19, e a necessidade de manipulação correta de dados como forma de controlar doenças.
O primeiro seminário do ano contou com a participação dos alunos veteranos e da nova turma do bacharelado. O professor do IMPA Tech Uéverton Souza, idealizador e organizador dos seminários – que tiveram início em 2024 –, apresentou a iniciativa. “Estamos sempre tentando trazer também pessoas de fora, para a gente ter contato com pesquisadores de outras instituições e também de empresas, para fazermos essa ponte. Esse é um tema legal, porque o nosso último seminário foi sobre bioinformática. Então, vemos que a bioinformática, biomatemática, a biologia estão dialogando com as ciências exatas. De certa forma, até complementa o seminário anterior.”

Mariana Tieme Yoshioka é uma das estudantes que ingressaram no bacharelado de Matemática da Tecnologia e Inovação em 2025. A sua primeira participação em um seminário na graduação foi uma experiência muito positiva, que, inclusive, atendeu a uma curiosidade antiga da jovem sobre a relação da matemática com outras áreas, como a própria biologia.

“É muito bacana ver como as modelagens matemáticas ocorrem de fato. A professora Nara trouxe esse assunto de uma maneira muito precisa, exata e clara. Então, foi bem interessante. Acredito que esses seminários, além de esclarecer várias dúvidas, vão trazer uma experiência muito boa para os alunos. Estou gostando muito do IMPA Tech. A estrutura é muito boa, os professores ensinam os conteúdos e são muito carismáticos”, contou.